“Não existe racismo estrutural no Brasil”: a censura contida no relatório da Fundação Palmares no contexto do pós-fascismo
caroline da anunciação carvalho
adriano henriques machado - orientador(a)
Contato: carolanunlho@gmail.com
IFSP Bragança Paulista
Resumo. O fascismo histórico teve como uma de suas práticas, a censura a elementos que o mesmo considerava inimigos da pátria, com destaque para a censura exercida a bens culturais como livros e outras obras de arte. Com a ascensão das novas direitas nas últimas décadas passamos a vivenciar uma retomada dessa prática, por meio de ações políticas ou governamentais que visam criminalizar ou censurar livros ou obras de arte. Desse modo, o presente projeto tem como objetivo analisar o relatório produzido pela Fundação Palmares – que trata da triagem dos livros da biblioteca da instituição realizada e o expurgo de obras que, segundo a instituição, possuem “temática alheia à negra”, os quais deveriam ser excluídos da instituição pois representariam um plano ideológico de domínio da instituição por parte de correntes de esquerda. Partindo disso, buscar-se-á compreender a maneira pela qual a instituição, que visa formentar, valorizar e resguardar a cultura afro-brasileira foi administrada pela gestão do então governo Jair Bolsonaro e na época presidida por Sérgio Camargo. O projeto visa compreender o então governo pelo conceito de pós-fascismo desenvolvido pelo historiador italiano Enzo Traverso, o qual compreende o fenômeno das novas direitas, não apenas como um neo-fascismo, mas como “pós-fascismo”, tendo em vista que tais movimentos trazem elementos do fascismo tradicional, como a censura, mas ao mesmo tempo incorporam elementos novos e muitas vezes complexos e contraditórios, como uma política que se coloca contra as ações inclusivas e contrárias ao antirracismo.
Palavras-chave: Fundação Palmares; Pós-fascismo; Novas Direitas.
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