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Categoria: Ciências Humanas e Linguagens



Mercado negro: análise discursiva de classificados de emprego do Jornal do Commércio(RJ) no século XIX

nathalie vitória alves martins

rafael prearo lima - orientador(a)


Contato: nathverso9@gmail.com

IFSP Bragança Paulista

foto enviada pelo grupo

Resumo. O jornal, mais do que um meio de comunicação cotidiano, assume uma dimensão singular quando analisado como uma produção linguística permeada por ideologias. Sob essa perspectiva, estudá-lo é uma forma conhecer os fundamentos que sustentam não apenas seus enunciados, como também reflexos sociais, históricos e culturais. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo identificar como práticas discursivas racializadas se manifestam nos classificados de emprego publicados no Jornal do Commércio (RJ) antes e depois da promulgação da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Buscamos, assim, evidenciar de que forma essas práticas revelam a permanência de estruturas ideológicas ligadas ao escravismo no mercado de trabalho do século XIX. Para realizar a pesquisa, fundamentada a partir dos estudos da Análise de Discurso francesa, analisamos um corpus composto por 998 classificados extraídos do Jornal do Commércio(RJ), publicados nos períodos anteriores e posteriores à abolição da escravatura. A análise foca na descrição dos cargos oferecidos, nas características exigidas dos candidatos e, especialmente, na presença da questão racial como critério para o preenchimento das vagas. Os resultados preliminares indicam que os classificados iniciados pelos verbos “alugar”, “vender” e “precisar” veiculam a objetificação e a subordinação de indivíduos negros, como mercadorias explícitas. Esses anúncios refletem as relações sociais e econômicas do Brasil oitocentista, revelando a permanência de uma mentalidade escravocrata e racista mesmo após a abolição. Nos classificados com o verbo “alugar”, indivíduos são tratados como bens disponíveis para uso temporário, geralmente em serviços domésticos, com a comercialização de pessoas naturalizada. Nos anúncios com “vender”, a comercialização de seres humanos é explícita, com descrições que reduzem indivíduos a mercadorias e termos.


Palavras-chave: Jornal; Classificados; Escravidão.

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